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ANSEIOS: RACA, GENERO E POLITICAS CULTURAIS
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Autor: HOOKS, BELL
Editora: ELEFANTE Ano: 2019 1ª Edicao
440 páginas

Para bell hooks, a melhor crítica cultural não considera necessário separar a política do prazer da leitura. Anseios reúne alguns dos primeiros e clássicos textos de crítica cultural publicados pela autora nos anos 1980. Abordando temas como pedagogia, pós-modernismo e política, bell hooks examina uma série de artefatos culturais, dos filmes Faça a coisa certa, de Spike Lee, e Asas do desejo, de Wim Wenders, aos escritos de Zora Neale Hurston e Toni Morrison. O resultado é uma coleção comovente de ensaios que, como toda a obra da autora, dedica-se sobretudo à transformação de estruturas opressoras de dominação. *** Ainda que há anos eu já escrevesse textos de crítica cultural para revistas, Anseios foi a primeira compilação do meu trabalho em formato de livro. Fiquei entusiasmada ao reunir os diversos ensaios desta coleção, pois isso possibilitou que eu expressasse meus vários interesses teóricos. Ao escrever sobre cultura popular, pude mobilizar as interseções entre raça, classe e gênero. Além disso, eu tinha descoberto, em sala de aula e ao proferir palestras, que a utilização de textos visuais, filmes, obras de arte ou programas de televisão como base para falar sobre raça e gênero cativava o público. Todas as pessoas, independentemente de raça, classe ou gênero, pareciam ter ideias e modos de pensar as narrativas visuais que serviam como catalisadores de discussões aprofundadas. Focar a crítica em produções culturais abriu espaço para a educação voltada à consciência crítica, que poderia servir como uma pedagogia da libertação tanto na academia quanto na sociedade em geral. Ao contrário da teoria e da prática feministas — que, em última análise, exigiam comprometimento com a política feminista e uma ampla transformação na sociedade, percebida como perigosa e ameaçadora —, a crítica cultural permitia um discurso mais democrático. Embora grande parte dos textos de crítica cultural tenham sido escritos de uma perspectiva progressista ou radical, eles não tinham uma agenda militante radical como base fundamental. Ao contrário da teoria feminista, que vinha de uma discussão mais abstrata sobre o que significa desafiar o patriarcado e criar novos paradigmas culturais, a crítica cultural abordada do ponto de vista feminista envolvia o público de forma mais direta, permitindo que todas as pessoas tivessem espaço para levar críticas radicais adiante. E, acima de tudo, permitia que o público reconhecesse que os sistemas de dominação estão interconectados. Hoje em dia é legal falar de interseccionalidade, da sobreposição entre sistemas como o racismo, o machismo e o elitismo de classe. No entanto, a interconectividade é uma forma mais essencial de disposição dos discursos, pois nos lembra constantemente de que não temos como modificar um aspecto do sistema sem modificar o todo.

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